6# MEDICINA E BEM-ESTAR 23.7.14

     6#1 FRUTAS VERMELHAS PARA O CREBRO
     6#2 UMA INJEO APENAS PARA CONTROLAR A DIABETES
     6#3 ENFERMARIA ELETRNICA

6#1 FRUTAS VERMELHAS PARA O CREBRO
Pesquisas comprovam que o consumo regular de alimentos como amoras, morangos e mirtilo melhora o raciocnio, a memria e protege os neurnios
Mnica Tarantino (monica@istoe.com.br)

As falhas de memria e o declnio gradual de outras habilidades cognitivas associados ao envelhecimento esto no alto da lista de prioridades de institutos de pesquisa em sade. Por isso, pases como os Estados Unidos e o Canad esto investigando novas abordagens para preservar o crebro desse desgaste. Uma das estratgias mais eficientes pode ser adicionar pores de frutas vermelhas  mesa, de modo que passem a fazer parte da rotina alimentar. Grandes estudos sobre os efeitos dessa escolha esto em andamento pelo mundo. E se os primeiros trabalhos preocupavam-se em comprovar os benefcios das amoras, dos morangos e de outras frutas vermelhas ou arroxeadas (como o aa e a jabuticaba), os que esto sendo executados agora procuram compreender os mecanismos moleculares pelos quais elas conseguem defender o crebro. Uma das linhas de pesquisa mais recentes e promissoras busca desvendar a ao das antocianinas, substncias pertencentes  famlia dos flavonoides. Eles so alguns dos compostos encontrados nessas frutinhas, com ao no combate ao processo de inflamao crnica que prejudica as funes cognitivas e acelera o envelhecimento do corpo todo. As antocianinas atravessam a barreira hematoenceflica e, desse modo, penetram at o ncleo das clulas. Ali modificam a atividade de genes que regulam a produo de enzimas anti-inflamatrias, entre outros, explica Franco Lajolo, diretor do Ncleo de Apoio  Pesquisa de Alimentos e Nutrio da Universidade de So Paulo (USP) e o pesquisador principal do Food Research Center, projeto da Fundao de Amparo  Pesquisa de So Paulo voltado  inovao. A barreira mencionada por Lajolo  uma membrana que restringe a passagem de substncias da corrente sangunea para as estruturas cerebrais, o que garante a funo metablica normal do rgo.

AO - O cientista canadense Weber investiga como mirtilos protegem os neurnios de danos aps leses

Recentemente, estudos sobre o papel das berries (nome dado ao conjunto das frutinhas vermelhas mundo afora) capturaram a ateno dos especialistas. Um deles est em andamento na Harvard Medical School, em parceria com o Brigham and Womens Hospital, duas instituies americanas. A equipe avaliou dados obtidos por um levantamento iniciado em 1976 sobre a sade e o estilo de vida de 121,7 mil enfermeiras com idade entre 30 e 55 anos. Entre 1995 e 2001, a funo cognitiva de 16.010 dessas mulheres, selecionadas por, quela altura, terem idade superior a 70 anos, foi medida a cada dois anos. O grupo concluiu que as participantes que consumiam uma a duas pores de morangos e mirtilos por semana tinham taxa mais lenta de decrscimo da memria. E que as que comiam mais do que isso apresentavam menor declnio. Ricas em flavonoides, especialmente antocianinas, as berries melhoram a cognio em estudos experimentais, afirma a epidemiologista Elizabeth Devore, que lidera pesquisas nesse campo nas duas instituies americanas e organiza um seminrio para 2015 sobre essas frutas.

No Canad, John Weber, da Memorial School of Pharmacy, investiga o potencial de amoras e mirtilos para preservar da morte as clulas neuronais de pessoas que sofreram traumatismo. De acordo com Weber, o crebro contm compostos antioxidantes para combater os radicais livres, mas a produo dessas substncias nocivas aumenta aps leses cranioenceflicas ou acidente vascular cerebral e pode levar a danos rapidamente. Sua esperana  que o consumo de quantidades adequadas de flavonoides funcione como uma espcie de escudo protetor das clulas cerebrais. Em laboratrio, vimos que o dano celular foi drasticamente reduzido ao ministrarmos extratos de vrias frutas vermelhas, diz.

BENEFCIO - Composto presente na cereja ajuda no combate  inflamao

Os flavonoides tm ao em todas as clulas do corpo. Est previsto para o incio de 2015, por exemplo, um estudo de pesquisadores canadenses e da USP para avaliar o impacto dos flavonoides na produo de insulina, o hormnio que conduz a glicose do sangue para dentro das clulas. Temos projetos para investigar esses compostos nas cascatas de sinalizao do pncreas, diz Lajolo. O pncreas  o rgo onde esto as clulas que produzem a insulina. Resta ainda o desafio de definir a quantidade necessria  mesa todos os dias para preservar o crebro. Estudos sugerem que pequenas quantidades j produzem efeitos. Lajolo, porm,  cauteloso. Sugiro comer, diariamente, cinco pores de vegetais e frutas variadas para o maior aproveitamento de substncias protetoras, diz o cientista.


6#2 UMA INJEO APENAS PARA CONTROLAR A DIABETES
Cientistas americanos anunciam que somente uma aplicao de uma protena foi capaz de derrubar as taxas de glicose e mant-la nos nveis normais por dois dias
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)

Um time de pesquisadores do Salk Institute, nos Estados Unidos, anunciou na ltima semana o mais novo e promissor caminho contra a diabetes tipo 2. A doena est associada  obesidade e ao sedentarismo e  caracterizada pela resistncia das clulas  ao da insulina, o hormnio que possibilita a entrada, nas clulas, da glicose circulante no sangue. O resultado  o acmulo de acar na corrente sangunea, processo que figura como um dos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral. Em artigo publicado na revista cientfica Nature, os cientistas descreveram como uma simples dose de uma protena derrubou os ndices de glicose a nveis normais por dois dias e reverteu o mecanismo de resistncia  insulina. Os cientistas ficaram animados. O impacto do nosso estudo  substancial, disse  ISTO Michael Downes, um dos responsveis pela pesquisa. A descoberta oferece uma nova avenida para controlar a glicose de uma maneira poderosa e surpreendente que pode levar  criao de uma terapia revolucionria contra a doena, completou.

PROMESSA - O time de pesquisadores tambm descobriu que o remdio no apresenta efeitos colaterais

A protena responsvel por todo esse entusiasmo  a FGF1, integrante do grupo dos fatores de crescimento (substncias que contribuem para a proliferao celular). O curioso  que ela nunca tinha sido alvo de grande interesse. H dois anos, porm, o mesmo time do Salk Institute verificou que cobaias com baixa concentrao da protena rapidamente desenvolviam diabetes tipo 2 quando alimentadas com dieta rica em gordura. A observao fez os estudos avanarem at este que acaba de ser divulgado, revelando o enorme potencial da FGF1 para interferir na maneira como o corpo responde  insulina. Ela restaura a habilidade do organismo de regular os nveis de acar com a insulina, mantendo a glicose nos nveis normais, explicou Downes. Ele ressalta, porm, que investigaes mais aprofundadas sero conduzidas para conhecer melhor sua forma de atuao.

A constatao de seu poder foi obtida aps experimento realizado em cobaias (ratos) obesas e com diabetes tipo 2. Os pesquisadores injetaram nos animais apenas uma dose da protena. O que viram foi surpreendente: as taxas de glicose desabaram rapidamente e esse efeito durou por dois dias. Observamos uma reduo dramtica na concentrao de acar no sangue, informou Downes.

H outras constataes igualmente animadoras. Segundo os cientistas, as cobaias no apresentaram qualquer efeito colateral, mesmo quando a substncia foi injetada em alta concentrao. A injeo da protena tambm no provocou a queda abrupta e alm do desejado da quantidade de glicose no sangue. Esse efeito, chamado de hipoglicemia,  bastante perigoso e sempre foi alvo de preocupao no tratamento da diabetes.


6#3 ENFERMARIA ELETRNICA
Empresa cria microchip para ser implantado sob a pele e que libera medicaes por at 16 anos
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)

Um microchip colocado sob a pele promete se transformar na maneira mais cmoda para o tratamento de doenas crnicas como a hipertenso ou condies que exijam a administrao cotidiana de medicaes, como  o caso dos anticoncepcionais. O pequeno aparelho  programado para liberar medicamentos na dose e no tempo indicados pela necessidade e tambm pode ser controlado por mdico e paciente por sistema wireless.

A novidade foi criada pela empresa americana MicroChip, que conta em seu quadro com especialistas do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT).  feita para ser implantada sob a pele das ndegas, da parte superior do brao ou do abdome. O primeiro teste foi realizado para a verificao da eficcia no controle da osteoporose, doena caracterizada pelo enfraquecimento sseo. Sete mulheres com idade entre 65 e 70 anos antes medicadas com uma injeo diria receberam o implante, preenchido com remdio contra a enfermidade. Ficou comprovado que o aparelho foi capaz de administrar o medicamento da forma correta, controlando a doena.

Agora, os pesquisadores da empresa se preparam para iniciar um novo estudo clnico, dessa vez para examinar a eficcia do implante na liberao de um anticoncepcional. O microchip contm doses mensais do remdio, informou  ISTO Robert Farra, da MicroChip. O controle wireless do produto permitir  mulher ligar ou desligar o aparelho. Se ela quiser ter um filho, pode simplesmente desativ-lo, explicou. De acordo com a empresa, essa verso preparada com o anticoncepcional pode ficar implantada por at 16 anos.

